Metade dos adolescentes em todo o mundo passa por situações de violência na escola

Metade dos alunos com idades entre os 13 e os 15 anos, em todo o mundo, passa por situações de violência na escola ou nas imediações do estabelecimento de ensino, revela um estudo da UNICEF divulgado quarta-feira à noite.

Jornal de Notícias | 06.09.18

O relatório da UNICEF “Uma lição diária: #PôrFIMàViolência nas escolas” (“An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools”), refere que são cerca de 150 milhões os adolescentes que relatam ter passado por situações de violência entre pares na escola.

Este número inclui estudantes que relatam ter sido intimidados no último mês ou que estiveram envolvidos em confrontos físicos no ano anterior.

Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a violência entre pares “é uma componente perversa da educação dos jovens de todo o mundo”.

O relatório, que enumera as várias formas de violência que os alunos enfrentam no interior e no exterior da sala de aula, adianta que cerca de um em cada três adolescentes entre os 13 e os 15 anos sofre “bullying” e uma proporção sensivelmente igual está envolvida em confrontos físicos.

Segundo a publicação, três em cada 10 alunos em 39 países da Europa e América do Norte admite ter praticado “bullying” contra os seus pares

A UNICEF indica também que, no ano passado, foram documentados ou confirmados 396 ataques contra escolas na República Democrática do Congo, 26 no Sudão do Sul, 67 na Síria e 20 no Iémen.

Perto de 750 milhões de crianças em idade escolar vive em países onde os castigos corporais na escola não são totalmente proibidos, precisa o relatório, dando conta que o ‘bullying’ e as lutas físicas “são apenas dois tipos de violência”.

De acordo com a UNICEF, os estudantes lidam também com outras formas de violência, como ataques sexuais e violência baseada no género.

O mesmo documento sublinha igualmente que, apesar do risco de ‘bullying’ ser semelhante, as raparigas têm mais probabilidades de sofrer “bullying” psicológico e os rapazes têm maior risco de sofrer agressões e ameaças físicas.

A diretora executiva da UNICEF, Henrietta H. Fore, considera que “a educação é a chave para a construção de sociedades pacíficas”, mas, para milhões de crianças em todo o mundo, a escola não é um lugar seguro”.

“Todos os dias, existem alunos que enfrentam vários perigos, entre os quais confrontos físicos, pressão para se juntarem a gangues, ‘bullying’. A curto-prazo, isto tem efeitos na sua aprendizagem e, a longo-prazo, pode levar à depressão, à ansiedade e até mesmo ao suicídio. A violência é uma lição que não se esquece e nenhuma criança deveria ter de a experimentar”, refere a diretora executiva da UNICEF.

O relatório é lançado no âmbito da campanha global “#PôrFIMàViolência”, que tem como objetivo chamar a atenção e incentivar à ação para que seja posto fim à violência nas escolas e imediações e do qual fazem parte várias organizações, entre as quais a UNICEF.

Nesse sentido, a agência da ONU apela para que se adote legislação necessária para proteger os alunos da violência nas escolas, se reforce as medidas de prevenção e de resposta nos estabelecimentos de ensino, mudança de cultura nas salas de aula e comunidades e investimentos mais eficazes e direcionados para ajudarem os jovens e as escolas a manterem-se em segurança.

Quase todos os pais preferem comprar manuais escolares novos

Quase todos os pais portugueses (97%) preferem comprar livros escolares novos a usar os manuais atribuídos pelas escolas, os emprestados ou os comprados em segunda mão, refere um estudo publicado esta quarta-feira por uma empresa de crédito pessoal.

Jornal de Notícias | 29.08.18

O valor é idêntico ao apresentado em 2016, segundo dados da mesma entidade (Observador Cetelem), mas revela uma subida face a 2017.

No ano passado, a intenção de adquirir livros novos para a escola apresentava uma tendência de redução, sendo a opção de 93% dos pais.

O estudo, feito com base num inquérito realizado a 600 pessoas, indica, no entanto, que os encarregados de educação acabam por usar livros de várias origens para os alunos.

A opção pelos livros fornecidos pela escola (ou pelo Ministério da Educação) é uma escolha na qual apenas 8% dos encarregados de educação mostraram interesse, enquanto os livros em segunda mão ou emprestados são opções com cada vez menos interesse para os pais, tendo passado de uma média de 12% para 8%.

No ano letivo que terminou, os manuais escolares foram gratuitos para os alunos do 1.º ciclo das escolas públicas e, este ano (2018-2019) serão gratuitos até ao 6.º ano de escolaridade.

Segundo o inquérito realizado, as famílias portuguesas contam gastar, este ano, uma média de 487 euros em material escolar, mais 88 euros do que no ano passado.

A compra de livros, mochilas e cadernos para o próximo ano letivo vai custar, em média, mais 22% do que no ano passado e mais 7% do que há dois anos.

A compra dos livros escolares é feita sobretudo nos hiper e supermercados, onde vão 88% dos pais e encarregados de educação. Opção que, segundo o estudo, tem vindo a aumentar nos últimos anos. Em 2016, os supermercados eram a escolha de 66% dos pais.

Ainda assim, refere o estudo, o material continua a ser comprado em vários locais, sendo que “as papelarias demonstram uma estabilidade enquanto alternativa para a compra de manuais escolares”.

De acordo com o inquérito realizado este ano, 81% das famílias também mostrou interesse em comprar material em livrarias.

Já a Internet revelou uma quebra considerável, tendo sido o local escolhido de compra dos livros escolares de 42% dos pais, no ano passado, mas reunindo o interesse de apenas 25% das famílias, este ano.

As despesas com a educação dos filhos levam um terço dos pais a ter uma poupança dedicada a este custo, coisa que quase metade das famílias (47%) referiu não poder ou querer fazer.

 

Ensino profissional perde um terço dos seus alunos mais frágeis

Os que chumbaram mais antes, continuam a chumbar mais depois. E 30% abandonam a escola. Segundo o investigador Joaquim Azevedo os dados confirmam que as escolas “não sabem lidar com as crianças que tiveram percursos muito conturbados durante o ensino básico”.

PÚBLICO | 14.08.18

Os alunos que no ensino básico foram desviados para outras ofertas educativas, devido ao acumular de chumbos, são também os que menos sucesso alcançam nos cursos profissionais do ensino secundário. Esta é uma das principais constatações de um novo estudo sobre o ensino profissional, divulgado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

Seguindo o percurso individual de cada aluno, a DGEEC foi apurar qual era a situação em 2016/2017 dos alunos que, três anos antes, seguiram do 9.º ano para um curso profissional. À semelhança do que também se passa no ensino regular, três anos é o prazo normal (sem retenções) de conclusão dos cursos profissionais do secundário.

E o que a DGEEC descobriu foi o seguinte: 70% dos cerca de 30 mil alunos que chegaram ao profissional vindos do ensino básico geral concluíram o curso em três anos, enquanto só 35,6% dos 7869 estudantes que vieram de outras vias o conseguiram fazer. Mais: a percentagem dos que abandonaram o secundário sem terminar este nível de ensino sobe de 6% entre os primeiros para 30% no segundo grupo.

Para o investigador da Universidade Católica, Joaquim Azevedo, que tem acompanhado de perto a realidade do ensino profissional, os dados agora divulgados vêm confirmar, por um lado, que “as escolas não sabem lidar com as crianças que tiveram percursos muito conturbados durante o ensino básico” e, por outro, que se continua a encarar o ensino profissional como se este servisse “para tudo e para todos”.

Entre os estudantes que se inscreveram no ensino profissional em 2014/2015, estão incluídos 5652 alunos que concluíram o 9.º ano nos Cursos de Educação e Formação (CEF) do ensino básico, 1769 que terminaram o 3.º ciclo do ensino básico nos cursos vocacionais, criados por Nuno Crato, e 448 que frequentaram turmas do básico com Percursos Curriculares Alternativos (PCA). Todas estas ofertas têm em comum o facto de se destinarem a alunos com um historial de retenções, como comprovam aliás as suas idades médias de chegada ao secundário: oscilam entre 16,9 e 17,3 anos, enquanto os que vêm do ensino regular têm em média menos de 16 anos. O que mostra que os primeiros tiveram mais chumbos no seu percurso anterior do que os segundos.

São cursos que, “já em si, constituem soluções de ‘segunda’ e de terceira’”, critica Joaquim Azevedo, para defender que quando os adolescentes, que foram para ali encaminhados, os terminam “deveriam continuar a usufruir de alternativas curriculares adequadas e não ser ‘remetidos’ para o ensino profissional, como se, por não ser ‘ensino geral’, servisse para tudo e para todos!”. O que não é verdade, insiste: “O ensino profissional não é um percurso mais fácil que o do ensino geral. Exige, por exemplo, uma clara orientação e ‘vocação’”.

Ora, acrescenta, “uma boa parte dos alunos que são oriundos daqueles outros cursos do ensino básico não reúnem condições básicas para prosseguirem estudos em ambas estas modalidades [geral e profissional], que são pouco flexíveis e muito rígidas”.

Lisboa com maus resultados

E por isso continuam a ter o fracasso pela frente já que, denuncia ainda Azevedo, continua a existir “uma devoção incompreensível e comum com o modelo curricular único e igual para todos, que arrasta imenso insucesso escolar desnecessário”.

No conjunto, a percentagem de alunos que concluiu o ensino profissional em três anos passou de 53% em 2014/2015 para 60% em 2016/2017. No seu estudo, a DGEEC aponta outras diferenças que apresenta como “muito significativas”.

Por exemplo, em 2016/2017 a taxa de conclusão no tempo normal para um curso profissional na Área Metropolitana de Lisboa (46%) ficou 21 pontos abaixo da atingida no Norte (67%). É uma tendência que se repete. Como é também a do maior sucesso das raparigas, mesmo nos cursos profissionais: 68% concluíram em três anos, quando entre os rapazes este valor foi de 55%. Ou ainda a que aponta para um melhor desempenho das escolas profissionais privadas, onde 67% dos alunos conseguiram concluir no tempo normal. Nas secundárias públicas este feito foi alcançado por 56%.

Só para os mais fracos

As classes mais favorecidas só optam pelo ensino secundário profissional quando os seus filhos mostram grandes dificuldades nos estudos. Esta é uma das conclusões da DGEEC, que analisou as idades de ingresso no ensino profissional e as taxas de conclusão em tempo normal entre os alunos dos escalões A e B da Acção Social Escolar (ASE) e comparou-as com as registadas entre os estudantes que não necessitam destes apoios.

Primeiro resultado que a DGEEC apresenta como sui generis: ao contrário do que sucede no ensino regular, “os indicadores de sucesso no ensino profissional não atingem os seus valores mais elevados entre os alunos que não beneficiam da Acção Social Escolar (ASE), mas sim entre os que estão no escalão B”. Nos primeiros a taxa de conclusão em três anos é de 56%, enquanto nos segundos sobe para 63%. Entre os alunos oriundos dos agregados mais desfavorecidos, que estão no escalão A da ASE, este valor é de 52%, o mais baixo, portanto.

Segundo resultado: “A idade média de ingresso no profissional é mais elevada para os alunos sem ASE (16,1) do que para os estudantes no escalão B (16).” E isso quer dizer, frisa a DGEEC, que os primeiros “têm mais retenções anteriores” do que os segundos, quando em geral os estudantes do básico sem apoios da ASE “têm, em média, indicadores de sucesso escolar francamente superiores” aos dos alunos que beneficiam de apoios.

Somando estas duas realidades, a DGEEC afirma então o seguinte: “Os alunos de estratos socioeconómicos elevados têm que evidenciar dificuldades escolares muito marcadas durante o ensino básico para que os respectivos agregados familiares optem pela sua matrícula no ensino profissional.”

E aqui chegados aplica-se a eles o que se passa também com todos os outros alunos com um histórico de chumbos: como o “sucesso no básico é um dos preditores do sucesso no profissional” e eles não o tiveram, acabam também por soçobrar nos cursos profissionais.

 

Três em cada quatro professores dizem que já foram vítimas de assédio moral

Estudo envolveu 2003 professores do pré-escolar ao superior. As direções das escolas são apontadas como as principais responsáveis. Dirigentes não se revêm no que é relatado. Fenprof diz que em muitos estabelecimentos há “autoritarismo”.

PÚBLICO | 12.08.18

Relatam situações de intimidação, de crítica sistemática, ou em que são impedidos de falar. Só para dar exemplos. Em 2003 professores inquiridos, do ensino pré-escolar ao superior, do sector público e do privado, 75% (1504) dizem já ter sido vítimas de pelo menos uma situação de assédio moral ou psicológico no trabalho. Ou seja, três em cada quatro docentes. São os do ensino superior os que mais se queixam.

 

Três mil adolescentes grávidas abandonaram escolas de Moçambique em 2017

Cerca de três mil adolescentes com menos de 18 anos abandonaram a escola em 2017 por estarem grávidas, estima o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique, que defende uma maior sensibilização da sociedade para o fenómeno.

JN | 05.08.19

“No ano de 2017, tivemos três mil casos a nível nacional, o que, comparado com o ano anterior, representa uma ligeira subida”, disse o diretor-nacional de Assuntos Transversais do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique, citado hoje pelo diário O País.

Ivaldo Quincardete falou do panorama da chamada gravidez precoce na educação em Moçambique, durante a apresentação de um estudo sobre o fenómeno.

Quincardete defendeu uma maior mobilização da sociedade moçambicana contra os malefícios da gravidez em raparigas com menos de 18 anos, assinalando que essa situação compromete o futuro das adolescentes.

O aumento do número de professoras nas escolas pode ajudar a reduzir o índice de raparigas que são obrigadas a abandonar os estudos devido a gravidez, declarou.

“Faremos uma avaliação para comparar a presença de uma professora com o número de alunas presentes na escola”, disse o diretor-nacional de Assuntos Transversais do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique.

Percília da Gouveia, da Visão Mundial, uma ONG religiosa, defendeu a redefinição dos conteúdos ensinados nos ritos de iniciação em que participam as raparigas como uma das formas de reverter o cenário de casamentos prematuros e gravidez precoce em Moçambique.

“Nós valorizamos a cultura e percebemos que ela faz parte dos moçambicanos e, como Visão Mundial, não queremos, de alguma forma, impedir que as comunidades pratiquem a sua cultura”, afirmou Gouveia.

Vários estudos associam os ritos de iniciação aos casamentos prematuros e gravidez precoce, assinalando que tais costumes incentivam a rapariga a casar cedo, uma vez que assentam em ensinamentos sobre o comportamento na vida conjugal.

 

Insucesso escolar caiu para metade em cinco anos

Em 2013 foram 10,4% os alunos que não transitaram de ano: em 2017 foram 5,5%.

Correio da Manhã | 03.07.18

O insucesso escolar caiu para metade no ensino básico, entre 2013 e 2017, passando de uma taxa de retenção e desistência de 10,4% em 2013, para 5,5% em 2017, revela o relatório anual ‘Estatísticas da Educação’. A maior redução ocorreu entre os alunos dos 5º e 6º ano, onde o insucesso escolar baixou de 12,5% para 5,8%. No 7º, 8º e 9º ano, a variação foi de 15,9% de alunos que não transitaram de ano, em 2013, para 8,5% em 2017. Por sua vez, nos quatro primeiros anos do ensino básico, o insucesso escolar passou de 4,9% para 3%.

No secundário, os dados da Direção-Geral de Estatística de Educação e Ciência indicam que, além da redução do insucesso escolar, verificou-se um acréscimo de alunos inscritos. No 12º ano, as retenções e desistências baixaram de 34,5% em 2013 para 26,2% em 2017. Mesmo assim, um em cada quatro alunos não acabou o último ano do ensino secundário. Um maior sucesso no 12º ano levou a um maior número de alunos no superior.

No último ano letivo frequentaram cursos universitários ou do politécnico 36 1943 alunos, mais 3750 face a 2016.

Nos alunos inscritos em programas de formação, verificou-se também uma subida. Entretanto, na contestação que opõe o Governo aos professores, a plataforma de sindicatos entregou, ontem, uma carta aberta no Ministério da Educação para serem retomadas as negociações que permitam contar na íntegra o tempo que os professores tiveram a carreira congelada. Para o Sindicato de Todos os Professores, o dia foi de luto, com a colocação de uma coroa de flores à porta do ministério. O dirigente, André Pestana, reafirmou que a greve às avaliações é para prosseguir até o final do mês.

 

Estudo diz que estudar 17 anos contribui para desenvolver miopia

A miopia tem sido associada a elevados níveis de educação, mas só agora foi possível comprová-lo com este estudo

Jornal i | 10.06.2018

E se frequentar o ensino superior contribuir para o aumento da miopia? Foi precisamente esta a pergunta de partida que levou investigadores no Reino Unido, entre os quais Edward Mountjou, NeilDavies e Danis Plotknikov, a analisarem o ADN de quase 68 mil pessoas para perceberem qual a predisposição genética para o desenvolvimento da miopia.

Há mais de um século, afirmam os investigadores, a miopia tem sido associada a elevados níveis de educação mas, e apesar das evidências observadas, nunca se conseguiu comprovar a sua relação com a educação. Se a genética é importante no desenvolvimento da deformação ocular, não é o único fator a ter em consideração. O aumento da miopia, nomeadamente da alta miopia, por todo o mundo, principalmente nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, parece estar associado ao facto das pessoas entrarem, na sua infância, em contacto com instrumentos de leitura e de aprendizagem.

A genética cria a predisposição, mas as causas sociais e o avanço da sociedade em termos educacionais contribuem para o acelerar da miopia.

O estudo, intitulado Education and myopia: assessing the direction of causality by mendelian randomisation (Educação e miopia: avaliação da direção da causalidade por randomização mendeliana), concluiu que um total de 17 anos a estudar, incluindo os estudos superiores na universidade, contribui para um grau de miopia acrescido, se se comparar com quem teve 12 anos de educação ou até com quem deixou de estudar aos 16 anos. O grau de miopia na sequência de 17 anos de estudo é relativamente reduzido, mas  mesmo assim contribui para que uma pessoa venha a precisar de usar óculos ou lentes para o resto da vida – exceto se resolver as más deformações que originam a miopia por meio de cirurgia.

“Este estudo fornece fortes evidências de que mais tempo gasto em educação é um fator de risco causal para a miopia”, pode ler-se na conclusão do estudo. “Com o rápido aumento da prevalência global da miopia e o peso económico da miopia e das suas complicações ameaçadoras à visão, os resultados deste estudo têm importantes implicações para as práticas educacionais”, defendem os investigadores.

Ainda que a educação tenha influência na miopia, os redatores do estudo consideram que os resultados alcançados com a investigação devem alertar para a necessidade de se repensarem as práticas educativas e não reduzir-se os anos de educação. “O crescimento do olho axial ocorre predominantemente durante os anos escolares e, uma vez que os níveis de miopia tendem a estabilizar na idade adulta, qualquer intervenção para interromper ou prevenir a miopia precisa de ser aplicada na infância”.

Um outro estudo sobre miopia, Global Prevalence of Myopia and High Myopia and Temporal Trends from 2000 through 2050, calculou que por todo o mundo mais de 1406 milhões de pessoas padecem desta deformação ocular, cerca de 22% da população mundial, e que destes, cerca de 163 milhões têm alta miopia, 2,7% da população mundial. O estudo também prevê que por volta de 2050 existam cerca de 4758 milhões de pessoas com miopia por todo o mundo, não menos que 49,8% da população mundial, enquanto que 938 milhões terão alta miopia, não mais que 9,8% da população mundial.

Percentagem de alunos ciganos no secundário cresce 1500% em 20 anos

No ano letivo passado estavam inscritos no ensino secundário 256 alunos de etnia cigana – mais 240 do que os matriculados em 1997-1998, o que perfaz um crescimento de 1500%. A estatística, revelada esta segunda-feira, aponta para uma mudança social, admite o ministro da Educação.

Jornal de Notícias | 09.04.18

“O estudo revela uma já importante tendência de mudança na forma como as comunidades ciganas valorizam o acesso à escola. Encontramos um conjunto alargado de raparigas ciganas no 3º ciclo e no secundário em proporções que não estão muito distantes daquelas que encontramos entre os rapazes ciganos e isto significa que o abandono escolar precoce por parte das raparigas não é uma inevitabilidade”, sublinhou esta segunda-feira, o ministro da Educação. Tiago Brandão Rodrigues assinalou o arranque do 3º período de aulas na escola básica de Coruche, onde é desenvolvido o projeto “salas de vidro”, de inclusão de crianças de comunidades ciganas na educação pré-escolar.

O Perfil Escolar da Comunidade Cigana, que faz um balanço da frequência de alunos ciganos na escolaridade obrigatória, foi publicado esta segunda-feira pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. O estudo foi feito pela DGEEC a pedido do Ministério da Educação (ME) no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, que se encontra em revisão. Os diretores dos agrupamentos públicos responderam a um questionário entre setembro e novembro.

Os dados indicam que onde a frequência menos cresceu foi no 1º ciclo – em 1997-98 (último ano em que tinha sido feito um levantamento) estavam inscritos 5420 alunos de etnia cigana, no ano passado 5879 (um aumento de 8,5%). No entanto, destes 1170 (cerca de um quinto do total) já tinham frequentado o pré-escolar. Quase 63% dos alunos conclui o 1º ciclo sem retenções.

Do 1º para o 2º ciclo, o número de alunos de etnia cigana baixa quase para metade – no ano passado, estavam matriculados 3078 no 5º e 6º anos. E apesar de a frequência cair a pique de ciclo para ciclo até ao secundário (no 3º ciclo estavam 1805 alunos e no secundário 256), comparativamente com o levantamento feito há 20 anos, os dados apontam para um crescimento de 723% no 2º ciclo, de 1670% no 3º ciclo e de 1500% no secundário. E as estatísticas apontam ainda que os alunos que ficam no sistema são resilientes: mais de metade (51,9%) não tem retenções no percurso. No 1º ciclo, 62,6% dos alunos não têm chumbos enquanto 17,2% acumulam mais do que uma retenção; no 2º ciclo, a situação inverte-se, há 36% dos alunos sem retenções e 44,3% com mais do que um chumbo; no 3º ciclo são 42% sem retenções e 39,4% com mais do que uma e no secundário 68,8% têm sucesso contra 16,8% que resistem com mais do que uma retenção no percurso.

“A escola tem agora de trabalhar com a comunidade cigana no seu todo para poder desenvolver um conjunto de soluções educativas que possam ser aceites”, defendeu Tiago Brandão Rodrigues, considerando que o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar e o projeto de autonomia e flexibilização podem funcionar “como ferramentas” para reforçar a inclusão destes alunos. As escolas são espaços privilegiados de multiculturalidade e, por isso, tem de se trabalhar “com todos os alunos e famílias no reconhecimento deste exercício de absoluta cidadania”. O ministro frisou, ainda, a importância da definição da estratégia nacional da educação para a cidadania e a aposta na formação de adultos, pois se os pais regressarem à escola, os filhos também estudarão mais tempo, alerta.